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Estátuas de Ramsés II: morador acha cabeça colossal do faraó no quintal de casa no Egito

Estátua colossal de Ramsés II deitada no museu ao ar livre de Mênfis, no Egito

Imagine trabalhar no terreno em frente à sua casa e encontrar uma pedra com hieróglifos. Foi assim que começou uma das descobertas mais curiosas de 2026: estátuas de Ramsés II, o faraó mais famoso do Egito Antigo, foram encontradas em pedaços na vila de Behbeit el-Hagar, no Delta do Nilo. Uma das cabeças tem 1,60 metro de altura, e a estátua completa, com a base, pode ter passado dos 8 metros.

Neste artigo você vai entender o que foi achado, por que a descoberta é importante e quem foi Ramsés II, o rei que governou o Egito por mais de seis décadas.

Como as estátuas de Ramsés II foram descobertas

Em outubro de 2026, o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito anunciou o achado. Tudo começou quando um morador da vila, no governorado de Gharbia, encontrou um bloco de granito com inscrições enquanto mexia na terra. Ele avisou as autoridades, e uma equipe do Conselho Supremo de Antiguidades foi até o local para fazer uma escavação de resgate, aquele tipo de trabalho feito às pressas para proteger um achado antes que ele se perca.

Debaixo da terra, os arqueólogos encontraram muito mais do que um bloco. Segundo a Archaeology Magazine, que repercutiu o anúncio do arqueólogo Hisham El-Leithy, a equipe achou fragmentos de duas estátuas colossais, ou seja, estátuas gigantes, bem maiores que uma pessoa.

O que foi encontrado

Os achados podem ser divididos em três partes:

  • Primeira estátua: uma cabeça de Ramsés II com cerca de 1,60 metro, usando a Coroa Dupla, símbolo da união do Alto e do Baixo Egito. Junto dela estava um pedaço do pilar das costas da estátua, com o nome de Hórus do rei: Ka-nakht Meri-Maat, algo como “Touro forte, amado de Maat”. Completa, ela teria uns 8,5 metros de altura.
  • Segunda estátua: um fragmento de 2,40 metros, sem as pernas e a base. O rosto está bem preservado e usa o nemes, o famoso lenço listrado dos faraós. Os especialistas acreditam que também represente Ramsés II.
  • Bloco de granito rosa: com 1,30 metro, traz duas inscrições em hieróglifos com títulos reais do faraó, como Nesu-Bity (“Rei do Alto e do Baixo Egito”) e Sa-Ra (“Filho de Rá”).

Essas inscrições são como uma assinatura. No Egito Antigo, cada faraó tinha cinco nomes oficiais, e encontrá-los gravados na pedra é a forma mais segura de saber quem a estátua representa.

Blocos de granito caídos do templo de Ísis em Behbeit el-Hagar, no Delta do Nilo
Ruínas do templo de Ísis em Behbeit el-Hagar, onde as estátuas foram achadas. Foto: Roland Unger / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Behbeit el-Hagar: um lugar já famoso pelas ruínas

A vila onde as estátuas apareceram não é um ponto qualquer no mapa. Behbeit el-Hagar abriga as ruínas de um grande templo dedicado à deusa Ísis, construído quase todo em granito, material raro e caro, trazido de muito longe, do sul do Egito. A construção foi iniciada pelo faraó Nectanebo II, um dos últimos reis egípcios nativos, e continuada pelos reis ptolomaicos, a dinastia grega da qual Cleópatra faria parte mais tarde.

Hoje, o templo é um amontoado gigante de blocos caídos, e muitos estudiosos acreditam que ele tenha desabado por causa de um terremoto. Daí vem o nome da vila: el-Hagar quer dizer “das pedras” em árabe.

Aqui está o mistério: Ramsés II viveu cerca de mil anos antes de Nectanebo II. Então, o que estátuas dele estariam fazendo ali? Os arqueólogos ainda vão investigar, mas há uma explicação comum no Egito: faraós posteriores costumavam transportar e reaproveitar estátuas e blocos de reis antigos em suas próprias construções. Outra possibilidade é que já existisse no local um templo mais antigo, da época de Ramsés. As escavações vão continuar justamente para responder a essa pergunta.

Quem foi Ramsés II?

Ramsés II é tão conhecido que muitas vezes é chamado de Ramsés, o Grande. Ele governou o Egito de aproximadamente 1279 a 1213 antes de Cristo, durante a 19ª dinastia, no período chamado Império Novo. Foram cerca de 66 anos no trono, um dos reinados mais longos da história egípcia. Muitos egípcios nasceram, viveram e morreram sem conhecer outro faraó.

Alguns fatos que ajudam a entender a fama dele:

  • A Batalha de Kadesh: por volta de 1274 a.C., Ramsés enfrentou os hititas, um poderoso império da região da atual Turquia. A batalha não teve um vencedor claro, mas o faraó mandou gravar nos templos a versão de que ele tinha triunfado sozinho.
  • Um dos primeiros tratados de paz: anos depois, egípcios e hititas assinaram um acordo de paz, considerado um dos mais antigos da história de que temos o texto completo.
  • Grande construtor: ele ergueu os templos de Abu Simbel, o Ramesseum, em Tebas, e uma nova capital no Delta do Nilo, chamada Pi-Ramsés.
  • Família enorme: teve várias esposas, sendo Nefertari a mais famosa, e estima-se que tenha tido mais de cem filhos.

Por que existem tantas estátuas de Ramsés II?

Se você já viu fotos do Egito, com certeza viu Ramsés II. Ele foi, talvez, o faraó que mais investiu na própria imagem. As estátuas de Ramsés II estão espalhadas por todo o país: as quatro figuras sentadas de mais de 20 metros na fachada de Abu Simbel, os colossos do Templo de Luxor e a famosa estátua gigante de Mênfis, que hoje recebe os visitantes no Grande Museu Egípcio, perto das pirâmides de Gizé.

Para um faraó, estátuas não eram apenas decoração. Elas funcionavam como propaganda política e religiosa: mostravam um rei forte, protegido pelos deuses e presente em todos os cantos do reino. Ramsés também tinha o hábito de colocar o próprio nome em estátuas feitas por reis anteriores, prática que os estudiosos chamam de usurpação. Por isso, identificar com certeza de quem é uma estátua exige estudar o estilo, as roupas, as coroas e, claro, as inscrições.

O que a descoberta nos ensina

Essa história mostra que o Egito ainda guarda muitos segredos debaixo dos pés de quem vive lá hoje. O Delta do Nilo, em especial, é uma região difícil para a arqueologia: o solo é úmido, as cidades modernas cresceram por cima das antigas, e muita coisa ficou escondida. Por isso, achados como esse dependem também da colaboração da população, como fez o morador que avisou as autoridades em vez de esconder a pedra.

Agora, os arqueólogos vão estudar os fragmentos, procurar outras partes das estátuas e tentar entender qual era a relação delas com o templo de Ísis. Cada novo detalhe pode mudar o que sabemos sobre a história dessa região.

Para fixar

  • Fragmentos de duas estátuas colossais de Ramsés II foram encontrados em Behbeit el-Hagar, no Delta do Nilo, em outubro de 2026.
  • A descoberta começou com um bloco de granito achado por um morador no próprio terreno.
  • Inscrições com os nomes reais confirmam a ligação com o faraó.
  • Ramsés II governou por cerca de 66 anos e foi um dos maiores construtores do Egito Antigo.

Gostou de viajar no tempo com a gente? Explore mais histórias de faraós, templos e descobertas na nossa seção sobre o Egito Antigo.